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A língua é minha pátria e eu não tenho pátria, tenho mátria…

Monday, June 2nd, 2008

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Eu e a Mônica não falávamos espanhol nesta nossa viagem à Argentina e ficamos, à princípio, dependentes da Verônica, que disse que não sabia a língua, mas falava o tempo todo. Só fui me soltando mais pro fim da viagem, mas percebi que na necessidade a gente se vira, entende e se faz entender.

 

Em Ushuaia, no primeiro albergue em que ficamos, o Leandro puxava papo o tempo todo. Curioso, questionava muito, queria saber “tudo”. E sem ninguém por perto como intérprete, nos entendíamos, na medida do possível.

 

Mais difícil foi no ônibus pra El Calafate, com o holandês sentado ao meu lado. O espanhol dele também não era bom, assim como o meu, mas também foi possível “conversar”. Ele falou dos cinco meses de aventura pela América Latina e sobre o roubo do seu passaporte e sua grana quando passou pela Colômbia. Estava voltando pra casa, pra trabalhar. Mostrou fotos incríveis de suas andanças.

 

Já em Mendoza, as meninas ficaram na internet procurando hostel e eu fui para o locutório com uma lista de telefones na mão pra saber qual tinha vaga em quarto privativo para três. A cada telefonema aprendia uma nova palavra e a utilizava no contato seguinte. E assim foi…

 

É claro que um país-irmão e uma língua próxima ajudam. Comecei mochilando pela Argentina talvez por esse comodismo. Confesso que com outras línguas ficaria insegura. Mas sei também que a aventura seria maior.

 
 

Mochileira de primeira viagem!

Monday, May 19th, 2008

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Falei anteriormente que esta foi minha primeira experiência mochileira.

Já viajei muito sozinha, mas em “pacotes”, com roteiros pré-determinados. O máximo que fazia era conhecer um pessoal durante a viagem e sair do planejado, irmos sozinhos em busca dos pontos turísticos com o intuito de baratear transporte e ingressos. Além disso, ficava hospedada em hotéis e comia só em restaurantes. Nenhum trabalho.

Desta vez seria diferente…

De cara, saindo de casa, estranhei o peso da mochila (aquela emprestada do Eber, que foi “violentada”). Até tirei algumas coisas dela pra sentir se ficaria mais confortável, mas não adiantou… A própria mochila já era pesada…rs

Lembro da minha irmã perguntando: “Você vai agüentar andar com essa mochila nas costas?”

Nem respondi. Não tinha a menor noção de qual seria a dificuldade.

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E os parches se foram…

Tuesday, May 6th, 2008

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Ainda não me conformo com o absurdo do roubo dos brasões da mochila que levei emprestada do Eber. Ah… aproveitando para agradecer mais uma vez pelos empréstimos que me salvaram para esta viagem: pela mochila, saco de dormir e isolante térmico do Eber. E as meninas levaram duas barracas e mais apetrechos pra camping. A Verônica ainda me presenteou com a lanterna de cabeça e o joguinho de canivete e talheres. Foram todos uns lindos, obrigada!

Então… já foi falado aqui sobre o furto dos parches, mas não há como não voltar ao assunto, até porque é coisa séria. Da mesma maneira que surrupiaram os brasões, poderiam ter pego qualquer coisa de nossas mochilas. Existe um serviço no aeroporto para embalar (plastificar) as malas, custa 30 pesos na Argentina, mas e a responsabilidade da companhia aérea, como fica? Eles devem garantir a segurança desde o momento da entrega da bagagem no balcão, até o retorno pela esteira.

Dava orgulho andar com a mochila do Eber, linda. Com todos aqueles diversos brasões, tantos países. E deve ter sido justamente o que chamou atenção.

Despachamos as três mochilas juntas em Buenos Aires e quando chegamos a Ushuaia, as das meninas chegaram rápido. E nada da minha. Esperamos, esperamos… E quando veio… a decepção. Os poucos que sobraram arranquei e guardei pra não correr mais riscos.

E lembrando dos vários serviços disponíveis no aeroporto internacional de Buenos Aires, de “protect bag”, que é a plastificação das malas, já fico imaginando uma máfia – um acordo entre os carregadores das malas que as levam até o avião e essas empresas - tipo o flanelinha que risca seu carro se você não der aquela graninha na hora em que para na vaga.

A mala está aí na foto, lisa!

Mas voltará para o Eber melhor. Na medida do possível…

Fica o alerta pra todos. Mesmo de mochilão há riscos.

Ou você pensava que só roubam endinheirados?

 
 

Estar aqui vale qualquer esforço!

Friday, April 25th, 2008

Três amigas mochilando pela América do Sul (by Luciana)

 

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A viagem está sendo maravilhosa, mas nem tudo são flores…

Com nossa intenção de subir de Ushuaia até o norte do país e finalizar em Buenos Aires, sabíamos que enfrentaríamos longas viagens de ônibus, mas não imaginávamos que o transporte seria tão precário. A impressão que se tem é que todas as estradas só agora estão sendo construídas. Um país em obras. E mesmo as cidadezinhas pelas quais passamos parecem estar sendo projetadas para após o término das estradas.

Rodamos no meio do nada. Paisagens lindas, outras desérticas. Em alguns momentos guanacos, ovelhas, cavalos, uma vegetação linda… Em outros, caminhões, tratores, obras…

Não conseguimos ônibus que fosse direto ao nosso destino. Tivemos que voltar a Rio Gallegos, por exemplo, quando poderíamos ter subido direto para El Calafate. Dificuldades que diminuem nosso aproveitamento da viagem. Já não vamos mais à La Rioja, Salta, Córdoba… Não teremos tempo.

Agora, se tudo der certo, de El Bolson vamos para Mendoza e Buenos Aires, para aproveitarmos bem nossa passagem por esses locais.

Mas é bom dizer que essas dificuldades não diminuíram o prazer da viagem. É verdade que em nossa primeira viagem longa de ônibus (de Ushuaia a El Calafate), tivemos distração. Paramos várias vezes por conta da fiscalização de fronteira, mas vimos pingüim, toniñas e fui papeando com o Marco, um holandês que sentou ao meu lado e que já rodou a América do Sul.

Gente muito boa, mostrou fotos ótimas. Estava viajando há cinco meses. Na volta de El Chaltén nosso papo foi com o Humberto, um brasileiro que veio à Argentina para comprar um cachorro (!). Havíamos encontrado ele antes num banco onde tentávamos trocar reais por pesos.

 

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Já a viagem de El Calafate à El Bolson foi muito mais cansativa. Bem mais longa. Passamos um dia e uma noite dentro do ônibus. Dormimos muito e tivemos a sorte de ter duas poltronas para cada uma, já que estava vazio.

Mas voltando a falar sobre as pessoas que passam por nós em viagens… lembro da Verônica dizendo que é importante registrar esses momentos. Não tenho o costume. E por vezes me arrependi, porque são pessoas que você vai lembrar depois. De qualquer forma, estarão registradas na memória, como o Leandro do Hostel Cruz del Sur, em Ushuaia, a Glória, que também conhecemos por lá, o Marcos, do ônibus, e o Humberto, o brasileiro de El Calafate, natural de Leme, em Sao Paulo. Entre tantos outros…

Até o momento, minha maior dificuldade foi a noite congelante no acampamento no Parque Nacional Los Glaciares, em El Chaltén, ao lado do Fitz Roy (além da longa viagem rumo à El Bolson). Mas os bons momentos compensam e muito o que parece desagradável.

A imagem do acampamento à noite, aquele céu estrelado e a paisagem que tínhamos à nossa frente dos glaciares, como uma pintura, foram indescritíveis. Qualquer esforço vale aquele prazer. Daí, o que parece ruim é detalhe.

Partimos agora para uma outra fase da viagem e ainda não sabemos como será. Em breve nos encontramos novamente por aqui. Até!

 
 

Estamos no Fim do Mundo

Saturday, April 19th, 2008

Três amigas pela América do Sul (by Luciana)

 

 

 

 

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Vídeo do avião pousando no Aeroporto Malvinas Argentinas em Ushuaia.

 

 

 

 

 

 

A Verônica já relatou parte de nossas “aventuras” no fim do mundo, mas vamos à visão de uma “senhoura”…

 

 

 

 

Vou explicar, pra quem ainda não sabe: Meu nome é Luciana, tenho 41 anos (quase 42) e este é meu primeiro mochilão, também minha primeira viagem internacional.

 

 

 

Velha para isso? Besteira… Mas vamos lá:

 

 

 

Demoramos muuuuito pra chegar a Ushuaia. Nossa parada em Buenos Aires foi ótima, um tempinho necessário na capital argentina para recarregar, antes da longa viagem ao fim do mundo….

 

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