Trabalhar no exterior geralmente é sinônimo de “pagamento baixo” e empregos temporários - como bartending.
Um dos maiores obstáculos quando as pessoas começam a pensar em viajar, é a grana. Você tem alguma grana guardada? Você tem o suficiente? Será que você precisa completar a sua renda com trabalhos durante a viagem? E, em caso afirmativo, quanto tempo você pretende trabalhar? Irá obter um visto de trabalho, ou procurar por empregos do tipo “toma-lá-dá-cá”?
Estas são questões cruciais para se perguntar no planejamento de uma viagem. E as respostas têm um peso enorme na decisão do tamanho da sua viagem e sobre o que fazer depois de ter embarcado. Primeiro de tudo, o valor que você tem guardado é geralmente o fator determinante de quanto tempo a sua viagem irá durar.
Há algumas despesas fixas, tais como passagem aérea e equipamentos para a sua viagem, mas a maioria dos seus recursos serão devorados pelos gastos diários, tais como albergues, transporte, alimentação e entretenimento. Este valor aumenta com o aumento do tempo de viagem, de modo que a duração da sua viagem normalmente é decidida pela construção de um orçamento diário bruto que determinará até onde o seu dinheiro poderá levá-lo (dica: superestime o custo de tudo, apenas por segurança).
Como alternativa, se você decidiu fazer uma viagem bastante longa, mas com reservas limitadas, provavelmente deve estar planejando trabalhar durante a viagem. Existem duas maneiras de fazer isto, (1) tirar um visto de trabalho de férias ou (2) procurar empregos que paguem por debaixo dos panos.
Para tirar um visto de trabalho de férias (Working Holiday Visa)
Essa dica é especial para aqueles que sonham em conhecer algum país ou região profundamente e ainda gastando pouco. Até onde eu sei, o único país que emite este visto de trabalho de férias para brasileiros é a Nova Zelândia, mas se você tiver cidadania ou o passaporte de algum outro país pode pesquisar sobre a possibilidade de conseguir este visto para os países afiliados. Brasileiros com cidadania italiana têm conseguido o Working Holiday Visa para trabalhar na Austrália. Parece que os Estados Unidos dão uma oportunidade igual para brasileiros, pois algumas agências de intercâmbio oferecem esse serviço (Trabalho nas férias). Portanto, veja as possibilidades e se tiver a oportunidade tire um visto de trabalho para este período. Trabalhando, você poderá pagar as despesas básicas do dia a dia (geralmente remunera-se 5 ou 6 dólares por hora de trabalho), estará em contato maior com o idioma, as pessoas e a cultura local.
Existem regras diferentes em cada país, por isso tenha certeza de que leu todas as letras miúdas antes de se aplicar, mas geralmente você terá o direito a receber uma quantidade limitada de vistos de trabalho de férias em sua vida - em alguns casos, apenas uma única vez – desta forma, planeje trabalhar por pelo menos alguns meses, a fim de tornar isto rentável (financeiramente e como experiência de vida). De qualquer forma, também vale levar em consideração que você ficará por um longo período numa região, por isso evite pegar empregos com carga horária integral. Normalmente, trabalhando no máximo 30 horas semanais você conseguirá cobrir as suas despesas diárias e ainda aproveitará a cidade e as proximidades.
Alguns dos países que trabalham com o Working Holiday Visa são: Argentina, Áustria, Austrália, Bélgica, Canadá, República Tcheca, Chile, Dinamarca, França, Alemanha, Hong Kong, Irlanda, Itália Japão, Letônia, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Polônia, Coréia do Sul, Singapura, Suécia, Suíça, Turquia, Reino Unido.
Os tipos de trabalhos comuns são em empresas do ramo do entretenimento e turismo: parques temáticos, hotéis, resorts, restaurantes, redes de fast-food, etc.
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Os ganhos que você tiver durante o período que trabalhar serão suficientes para cobrir os seus gastos diários, ou seja, a sua viagem só começará a ser dispendiosa novamente quando você parar de trabalhar e voltar a viajar. Isso pode ser interessante já no começo da viagem para você ganhar mais contato com o idioma, com as pessoas e a cultura local. Além disso, poderá fazer viagens curtas pelas imediações nos dias de folga, conhecendo cidades próximas. Bom, as possibilidades são inúmeras já que você estará com a saída de dinheiro controlada pelo fato de estar trabalhando. Se você tinha dinheiro pra fazer um mochilão de 1 mês, trabalhando 2 meses a sua viagem e experiência internacional aumentarão para 3 meses.
Por que ter um visto de trabalho?
Bom, muitos empregos “regulares” exigem que você tenha um visto a fim de lhe empregar legalmente. A facilidade nisso é que sendo um trabalhador legalizado, suas possibilidades de conseguir um emprego rapidamente aumentarão graças a maior quantidade de postos de trabalho disponíveis.
A desvantagem é que você vai ser tributado sobre o seu salário. Alguns países dão o direito de restituição, mas pode ser um processo demorado.
Pagamentos por debaixo dos panos.
Se você optar por não aplicar para um visto, vai depender de encontrar um trabalho do tipo “toma-lá-dá-cá”. As vezes essa necessidade pode lhe ocorrer durante a própria viagem. Isto significa que você vai receber o pagamento em dinheiro por qualquer trabalho que fizer e, portanto, não será tributado sobre o seu salário. Estritamente falando, isto é ilegal na maioria dos países, mas é também uma forma corriqueiramente utilizada para ganhar dinheiro extra durante a viagem – concordar ou não com isso é uma decisão pessoal.
Trabalhos desse tipo geralmente são de curta duração e tendem a ser casuais, mas normalmente é possível encontrar um emprego estável que paga o suficiente para financiar o básico (albergue, comida e divertimento).
Encontrar estes tipos trabalhos (cash-in-hand) é um pouco mais difícil, pois não podem ser divulgados através de canais regulares como anúncios ou mensagens on-line. Quadros de avisos dos albergues são um ótimo campo de pesquisas, tal como conversar bastante com outros viajantes - quando eles continuam a viagem, muitas vezes deixam um rastro de vagas de emprego em aberto. Essa é a hora de fazer contatos e aproveitar as oportunidades.
Uma última dica: tenha a mente aberta. Os empregos que você tiver durante a viagem não precisam ser para fazer carreira ou encher sua vida de trabalho; eles têm apenas que pagar o suficiente para te alimentar e dar abrigo durante a sua prazerosa estadia naquela cidade.
É sempre melhor recorrer à trabalhos que você tem experiência, interesse e talento, mas se for necessário, não tenha medo de sair da zona de conforto e tentar algo novo.
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