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Passei minha adolescência inteira num albergue

Thursday, July 15th, 2010

Normalmente é difícil percebermos a importância que certos momentos terão em nosso futuro enquanto os estamos vivendo. Hoje é o aniversário de uma grande amiga de infância e fui até a casa dela para abraçá-la e dizer o quanto ela e sua família são importantes para mim. Enquanto conversávamos sobre a vida, remetemos nossas mentes ao passado e eu pude perceber mais um dos motivos de eu ser do jeito que sou hoje.

 

Quando minha mãe me trouxe de Recife para São Paulo, eu tinha uns 4 anos. Moramos em uma pensão para rapazes. A dona da pensão deixou que morássemos lá porque minha mãe, minha irmã e eu não tínhamos nenhum outro lugar para ir. Porém, não ficamos lá por muito tempo. Talvez 1 ano. Logo minha mãe conheceu um rapaz que alugou uma outra casa para nós moramos. Na verdade era um apartamento num sobrado bem legal, grande e espaçoso.

 

Provavelmente devido a esta nova dimensão do nosso lar, alguns membros da família que moravam em Recife, vieram morar conosco. Inicialmente, 3 tios. Como eles eram bem novos, vivíamos como se fôssemos irmãos.

 

Não demorou muito e mudamos para outra casa ainda maior. Minha mãe queria morar numa casa que estivesse alugada no nome dela, pois em algumas brigas com o marido, eles sempre discutiam sobre quem tinha o direito supremo sobre aquele lugar. Ela pagava o aluguel, mas o apê estava no nome dele.

 

Esta nova casa (sob a custódia total da minha mãe) se tornou um verdadeiro albergue. A casa da mãe Joana. O lugar era grande e ainda havia um quintal enorme na frente. Abrigamos muita gente no espaço de uns 8 anos que moramos lá. Esse período englobou toda a minha adolescência.

 

Não vieram apenas parentes do nordeste passar uma temporada conosco. Amigos de amigos chegavam a morar conosco de tempos em tempos. A campanhia nunca parava de tocar e todos os dias sempre acontecia alguma coisa diferente. Era um entra e sai de gente constante. Uns chegando do trabalho, enquanto outros iam para a escola e uma terceira leva ia para a igreja. Aquele período foi uma verdadeira novela. Comédia, drama, suspense, casos de polícia, intrigas religiosas…. Não tenho nenhuma noção de quantas pessoas passaram por lá. Quantas declarações de amor foram ouvidas naquele quintal, quantas gargalhadas demos, quantas festas de aniversário foram realizadas, quantas despedidas…

 

Hoje me pergunto se isso não foi um dos facilitadores da minha adaptabilidade em locais como os albergues que percorro pelo mundo. Talvez eu tenha absorvido um pouco do jeitão altamente gregário da minha mãe. Com certeza essa é uma das qualidades que mais admiro nela.

 

Outro ponto que me recordo desse tempo é que sempre nos ajudávamos. Era só alguém passar mal, ficar desempregado ou estar doente que todos se preocupavam, por mais brigados que estivessem. Esse espírito de união é tão bom. Tenho comigo que a humanidade em geral deveria ser assim. Não apenas com os próprios parentes, mas com qualquer pessoa.

 

Até estava discutindo sobre isso com a Verônica um dia desses. Dar suporte a um familiar, só porque ele tem “o mesmo sangue” para mim soa como uma obrigação. O bacana é ajudar mesmo quem precisa que eu seja a sua família.

 

Alguém pode dizer: “Ah, no mundo de hoje não dá pra confiar em ninguém. Só deixo entrar na minha casa quem realmente é muito próximo a mim”.

 

Pois é, pensando desse jeito será mais difícil ter as pessoas “próximas” a você. Acho uma perda de tempo ficar evitando as pessoas. Controlando e dosando de forma diferenciada amor, ajuda e afeto.

 

Certa vez, quando estava voltando do trabalho para casa, encontrei um mendigo cantando no ponto de ônibus, num dia bem chuvoso e frio de Julho. O cara estava num estado lastimável. Foi inevitável, me vi no lugar daquele homem. Ele precisava de um banho, um guarda-chuva, roupas secas, fazer a barba, comer um pouco. É obvio que tive que me certificar que ele não era um completo louco antes de convidá-lo a ir para a minha casa. Nem gosto muito de usar esse termo “minha casa”, mas sem neuroses…

 

Esse cara se mostrou ser bastante inteligente. Durante o jantar, para minha surpresa, notei que ele conhecia diversos assuntos interessantes, mas nem que não conhecesse nada, eu já me sentia feliz por poder ajudá-lo de alguma forma. Vê-lo com uma aparência melhor me deixou mais realizado do que quando recebi o resultado da minha contratação no primeiro emprego.

 

É por isso que hoje admiro os seres expansivos, descomplicados, extravagantes e de peito aberto para o mundo, de braços abertos para as pessoas (boas ou não tão boas), de sorriso fácil para a vida.

 
 

Um natal mochileiro

Thursday, December 24th, 2009

 

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Quase sempre recebo perguntas de pessoas que nunca fizeram um mochilão, mas estão fascinadas com a idéia de poder viajar de forma mais selvagem pelo mundo. Posso ler nas entrelinhas dessas dúvidas que chegam até mim “Qual é a receita?”

 

Alguns mochileiros parecem cercados por uma áurea de liberdade, regras e padrões rompidos, clandestinidade, emoção, descoberta, imprevisibilidade, irreverência… E para felicidade de todos, isso é a mais pura verdade, acontece mesmo, mas não em todos os casos.

 

Apenas alguns mochileiros atingem este estágio de total desprendimento, independência e por que não dizer, elegância. Sim, essas pessoas que dominam o perfil “eu me basto e estou de peito aberto pro mundo” podem parecer arrogantes, mas não se engane, são o oposto. Ou, posso dizer, se tornaram apenas quem eles realmente são. Seres de pensamento livre e vida ricamente simples.

 

É por isso que quando me pedem “a receita” para ser um mochileiro, eu fico meio sem resposta. A jornada é pessoal, uma evolução de pensamentos, jeitos e maneiras de encarar a vida, os problemas, o mundo onde se vive. A única coisa que pode acelerar esse processo é o máximo de desprendimento possível. Arriscar enxergar o mundo através de outros prismas, abraçar o novo com o mínimo de pré-conceitos e não ter vergonha de muitas vezes sentir medo, bastante medo por isso, afinal, não é algo fácil de ser praticado como se mascássemos um chiclete.

 

Seja sincero consigo mesmo, experimente coisas novas, caminhos diferentes. Muitas vezes você chegará a conclusão que é muita idiotice fazer “tal coisa”, pinta aquela vergonha, daí é bem provável que esteja no caminho certo, o caminho da realização de coisas memoráveis. Logo, não se limite apenas ao que é confortável. Estimule a curiosidade e faça disso um hábito. Logo você estará dançando como nunca antes, surfando secret spots, ajudando pessoas, encarando matas fechadas para chegar numa praia deserta paradisíaca, tocando algum instrumento exótico, e tantas outras coisas que lhe farão sentir muito vivo. É lógico que quase sempre você precisará fazer isso sozinho, pois nem todos estão na mesma sintonia que você. Este é o seu momento. É aí que começa todo o processo. Você passa a ter afinidade consigo mesmo, com o seu corpo, com a sua mente, com os seus sentimentos.

 

Mochileiro? O que é isso?

 

A minha resposta passou a ser: Aquele que encara os próprios medos em busca das mais diferentes sensações e experiências. Erra, falha, acerta, cai, levanta, arrepende-se, emociona-se, fica irritado, tem um ataque de risos… Arrisca-se… vive!

 

Feliz natal e um 2010 cheio de viagens para todos!

 

 
 

“Como se não tivessem vivido”

Friday, July 10th, 2009

 

Aê pessoal! Vai aí um vídeo pra dar um fôlego a mais no dia de vocês. Esse é o tipo de vídeo para passar para aqueles amigos que estão cansados da rotina e querem fazer alguma coisa realmente especial nas suas vidas. Algo para refletir hoje e sempre…

 

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Oscar dos melhores albergues do mundo em 2008

Saturday, March 7th, 2009

 

Book Hostels Online Now

 

 

O “Hostelworld Hoscars”, uma espécie de Oscar anual de albergues feito pelo site hostelworld.com, anunciou os seus ganhadores da versão 2008. 800.000 usuários do Hostelworld.com classificaram mais de 20.000 albergues ao longo do último ano, e os resultados são os dez melhores albergues do mundo no ano de 2008, de acordo com Hostelworld. Somente 1, dos 10 campeões, está fora da Europa.

 

E o Oscar vai para:

 

1. Travellers House, Lisboa, Portugal

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2. Hostel Rossio, Lisboa, Portugal

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3. Lisbon Lounge Hostel, Lisboa, Portugal

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4. The Riverhouse Backpackers, Cardiff, País de Gales

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5. Greg & Tom Hostel, Krakow, Polônia

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6. Sitting on the City Walls Courtyard House, Pequim, China

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7. Academy Hostel, Florença, Itália

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8. Goodnight Backpackers Hostel, em Lisboa, em Portugal

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9. Flamingo Hostel, Krakow, Polônia

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10. Mambo Tango Youth Hostel, Barcelona, Espanha

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Os prêmios que são entregues no Hoscars resultam em mais reconhecimento e atenção aos proprietários e gestores por administrarem os albergues mais limpos e amigáveis.

 

 
 

Devo comprar O EURAIL Pass (Passe de trem)?

Tuesday, March 3rd, 2009

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A Europa tem um brilhante sistema ferroviário que interliga convenientemente a maioria dos países europeus. Na minha opinião, vale a pena comprar um Eurail Pass. Isso te dá mais tranqüilidade e controle financeiro durante a viagem.

 

De modo geral, você vai comprar uma passagem com um certo número de dias que você utilizará para viajar (livremente) de trem pelos países que são cobertos pelo tipo de passe que você adquiriu. O que lhe permitirá embarcar e desembarcar a qualquer momento, obedecendo ao limite de dias adquiridos. Cada dia que você viajar será subtraído do número total de dias comprados.

 

Por exemplo, se você comprou um EURAIL pass com um total de 8 dias de viagens de trem para uso em todo mochilão, você terá 8 “campos” no seu ticket/passagem. Pouco antes de você entrar no trem, você vai escrever a data da viagem num dos campos. Se no dia 15/10 eu resolver ir de Paris à Barcelona usando o meu passe de trem, então eu terei (pouco antes de entrar no trem) que marcar essa data num dos 8 campos do meu passe. Dentro do prazo de 24 horas eu poderei entrar e sair dos trens (referentes aos países que o meu passe cobre) livremente (salvo os casos de lotação). Dessa forma ainda restarão 7 campos para viagens posteriores.

 

Apenas certifique-se de utilizar o seu passe sabiamente. Use-o para os itinerários longos e mais caros (Exemplos: Paris à Madrid, Madrid à Amsterdam, Barcelona à Roma, Milão à Frankfurt, etc…). Quanto maior o tempo de percurso, maior seria o custo normal da passagem. Aproveite bem o seu Eurail pass usando-o somente nos casos de nítida economia de tempo e dinheiro.

 

Há uma variedade de passes de trem, por isso, primeiro você deve ter uma boa noção dos países a serem visitados, daí será mais fácil encontrar o melhor passe. Se você ainda não tem 26 anos ou está viajando com mais pessoas, vai ter um bom desconto na compra do seu passe, cerca de 35% para a categoria Youth/Jovem (na 2ª classe) e 15% para grupos de 2 a 5 passageiros (Eurail Saver Pass), pois a Europa garante esse incentivo aos jovens mochileiros e grupos.

 

Dica: Se você estiver viajando num grupo de 4 pessoas adultas, é melhor comprar dois Saver Passes, ao invés de 1 para todos, pois terá flexibilidade para dividir o grupo em dois se preferir.

 

Veja aqui qual é o tipo de passe que se encaixa no seu roteiro. Devido a flexibilidade, um dos mais usados por mochileiros é o Eurail Global Pass Flexi (Viaje 10 ou 15 dias aleatórios durante 2 meses pelos 21 países conveniados dentro da Europa). Mas também tem:

 

Eurail Selectpass: Viaje em 3, 4 ou 5 países vizinhos na Europa.

 

Eurail Global Pass: Possui as maiores possibilidades de viagem. Este passe cobre 21 países conveniados dentro da Europa.

 

National Passes: Válido para um único país, perfeito para explorar um país europeu em um curto período de tempo.

 

Regional: É um passe disponível em sua maioria para uma região que envolve dois países vizinhos.

 

Britrail Classic: É um passe de dias consecutivos, válido para viajar na malha ferroviária do Reino Unido.

 

Britrail Flexi: É um passe de dias flexíveis, válido para viajar na malha ferroviária do Reino Unido.

 

Você poderá comprar o seu Eurail com até 6 meses de antecedência do 1º dia de uso do passe. Ao chegar a Europa, você precisará validá-lo na bilheteria da estação de trem. Isso significa que os funcionários da estação preencherão o primeiro e o último dia da validade no Passe, o que o validará.

 

Viajar de trem é uma vibe totalmente diferente. Você não vai pegar aquele caos do aeroporto. As estações de trem geralmente ficam bem próximas do centro da cidade, não distantes como é comum dos aeroportos. Viajar de trem é único! E você pode usar o tempo relaxante para escrever no seu blog, dormir confortavelmente, e tudo isso ao alcance de belas paisagens (outra coisa que você não será capaz de fazer dentro de um avião).

 

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Confira estes mochileiros na própria cabine. Não estão na poltrona de um carro, mas numa cabine com bancos privados que eles podem dormir sem ter de se preocupar com estranhos que venham roubar suas coisas. Estas garotas estão na maior diversão! Isso não rola dentro de um avião.

 

Como você pode ver, no vídeo abaixo, as vistas são impressionantes, e lhe dão uma idéia mais próxima e mais íntima do que é estar viajando entre países.

 

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Comparando com um avião, você também verá a diferença entre os assentos da 1 ª classe e 2 ª classe, as instalações sanitárias a bordo, o espaço para as pernas (melhor do que na maioria dos aviões), o vagão restaurante, espaço para tomar café enquanto revê seu guia de viagens e alguns trens têm até vagões leitos.

 

Mas eu não posso comprar os passes de trem diretamente na viagem?

 

Claro que você pode fazer isso. Recomendo que faça isso com as viagens mais curtas que você fará além de ter o EURAIL (que deve ser comprado ainda aqui no Brasil) passe para as viagens maiores. Se deixar pra comprar tudo na hora (conforme a viagem for rolando) você terá mais liberdade de escolha de roteiro, mas lembre-se que pagará o preço cobrado no dia, ou seja, o preço que eles querem que você pague (preços mais elevadas na alta temporada, óbvio).

 

Com o Eurail você terá a conveniência de entrar na estação de trem, ir até a bilheteria, informar a hora e lugar para onde você quer viajar, puxar o passe que vai pagar por essa tarifa inteira (algumas vezes você só vai pagar a taxa pela reserva do assento), e pronto.

 

Lembrando, mesmo quando você tem seu EURAIL pass, você ainda pode comprar tickets ponto-a-ponto para viagens curtas. Na verdade, isso é até recomendável.

 

Não desperdice dias do seu Euraill pass com as viagens que custem menos de 70 euros (por exemplo), a menos que você tenha um passe ilimitado.

 

Lembrando, é melhor comprar EURAIL pass ainda aqui no Brasil. Será difícil encontrar locais de venda por lá e ainda será 20% mais caro.

 

Já estou na Europa. Posso comprar o Eurail pass aqui?

 

Sim. Segundo o site da Eurail você pode encontrá-lo a venda em algumas das principais estações de trem, mas custa cerca de 20% mais caro do que comprar fora da União. O Eurail pass é destinado a não-residentes europeus, logo, será um pouco mais difícil encontrar locais de venda pela Europa

 

 

Veja as maravilhosas vistas captadas de dentro de um trem que saia de Spitz à Interlaken na Suíça.

 

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